quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Artilharia pesada.

Eu sou o pecado, você é a virtude. Minha outra metade inconcluída. Que eu não posso ficar sem. Eu sei que meu tempo é seu também.
Você tem a arma, eu tenho as balas. Não há tempo a perder. Purgatório de sentimentos, sou Deus para decidir se ele é bom ou se é ruim. O tempo passa e uma escolha terá que ser feita.
Faremos isto juntos. Seja meu amante e me acerte em cheio descarregando sua arma sobre mim. 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Pêndulo.

Felicidade. Tristeza. Felicidade. Tristeza.
É como um pêndulo, sempre balançando para trás e para frente. Nunca a abrandar, nunca parando. Cada hora do dia, cada minuto de cada hora. A vida é assim, há seus altos e baixos. 

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O Ruído da Transformação.

Nós nos sentimos enganados. Amordaçados e presos desde o nascimento. Com malicia extrema estamos e cumprimentamos. Uma doença não tratada.
Nascidos em um mundo de contradições. Encontrar o conforto no apego. A aflição de um país sem escrúpulos. Um mundo de luta constante.
Nossos sonhos são como fadas, por mais que falemos que só é fantasia, acreditamos neles.
Se ninguém te dá atenção, faça essas pessoas ganharem uma audição. E o país se transforma. 

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Radical equação.

Deslizando suavemente até a periferia da minha mente, fluindo delicadamente, estranhamente crescendo. Florescimento de uma idéia perigosa. Drogado em uma angústia de diamante estou. Isolamento. Eu e a escuridão se fundiram e explodirão, silenciosamente. Substancialmente. Abastecendo o nascimento de novos horizontes. Puxando o material da verdade. Nadei inundando contra a tensão já crescida. Um conflito implacável de pólo a pólo.  Salvação ou danação. Só uma opção. 

domingo, 30 de janeiro de 2011

O Tempo de Novembro.

Através da nevoa, através dos meus olhos, vejo que sou cega. A alma não tem conhecimento do coração, não tem visão. Por meus ouvidos o vento sopra ensurdecedor os sons da minha mente.
O sol zomba de mim com sua luz. Ilumina as coisas que eu não posso suportar a ver. Tento esconder, mas a claridade demonstra meu sofrimento.
Mas a chuva cai empática, afogando meu clamor. O frio gelado me paraliza, portanto não posso pensar nas memórias de um coração tão perturbado assim. Consolar-me com as lágrimas do céu.
E se a chuva não pode acabar com meu sofrimento. Ela vai chorar comigo até o dia de amanhã.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Hedionda comunidade.


Nós somos corvos aleijados que não podem cantar. Somos sinos de igrejas que deixam de tocar. Somos irmãs dos esquecidos e irmãos dos perdidos. Somos a causa sem um patrocinador. A colher, sem o pote.
Somos mariposas de asas quebradas. Nós somos rainhas solitárias que não têm reis. Somos os filhos dos mortos e os pais das vítimas.  Estamos com a boca sem estômago, e a marreta sem o gongo.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Fragmentos.


Somos apenas fragmentos de um sistema. Vivemos em uma esfera rotativa. Fragmentos que se deslocam de um lado para o outro. Alguns para longe, outros para perto.
As pessoas se movem em direções opostas. Nunca ninguém terá o mesmo caminho, sua história será diferente. Planejar a destruição do outro, nunca foi agradável. E nunca será.
Algumas pessoas interagem umas com as outras. Caminhando em uma linha imaginária, traçada pela sociedade.
Ando desapercebida no meio desse mar de gente. Olhando ao meu redor, optei por observar. Algumas pessoas são extraordinárias, outras são tão miseráveis que se tornam solitárias. Mas essas pessoas estão recebendo o que merecem?
Alguns optam por caminhar sozinho nesse mundo material, outros gostam de companhia para afastar a solidão.   
Algumas pessoas são de pele clara e outras são mais escuras.
Algumas pessoas tem pele enrugada, outras são mais lisas.
Algumas tem longos cabelos, enquanto outras não tem nenhum.
Algumas pessoas tem olhos castanhos, verdes e azuis.
Somos como vidro quando se quebra. Fragmentos se formam, e nenhum é igual ao outro.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Reencetar.


A ironia é o frio das palavras falsas de verdadeiro significado. Traz conseqüências. Coisas que você não pode pegar de volta, reescrever ou queimar. Se lembrar de tudo que fez. De todas as chances que se esqueceu de tomar. De todas as emoções que esqueceu de sentir. Desde o início. Jogue essas lembranças fora. Recomece.
Detalhes na tela, falar com palavras que não posso expressar. Dizer mentiras, não faculto formá-las. Não coloque palavras em minha boca. Classificar-me para um lugar. Ser escolhido entre um turbilhão de pessoas. Existe só uma possibilidade. Recomeçar.
Não me atrevo olhar para trás. Viravam as costas para mim, porque eu esquecia que também existia. Viver e respirar por algum motivo indefinido, é o que faço agora. Eu costumava pensar que fui mapeada pelas pessoas ao meu redor. Meus olhos já me enganaram, agora não mais. Recomeçando.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Cafeína e nicotina.


Eles formam um par. E talvez uma banda de heavy metal. São opostos, mas não são diferentes. Cafeína e nicotina para sua baixa auto-estima. Fumaça em seus pensamentos, para poluir o ar que você respira. Tome fôlego, você é repugnante. A vida não é um exame de câncer para dizer o que você deve ou não fazer. Seus feitos devem ser criticados por você mesmo.
Cafeína e nicotina. Um discurso de apologias. Ninguém quer compartilhar o câncer, irei morrer sozinho. Vou acordar cada manhã com meu café, e fingir que é inverno. Então, meu coração angustiado permanecerá em luto até meu ultimo suspiro.
Cafeína. Rastejando na calada negra da noite, sonolento. Olhos vermelhos, sonhos caindo sobre eles. Essa bebida me dá coragem. Pular em um salto cego nos braços da morte.
Cafeína e nicotina, essa é a rotina. Cafeína, para deixar meu coração acelerado nada abaixo de 180. Nicotina, para pará-lo do zero.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Aspiração de um sonho.

Sonhando. Consertando o meu corpo. Sala de operações. Estou com medo, nervoso e petrificado. Luzes fortes pairando sobre meu corpo afetam minha alma. Acertar o que está danificado. Muitas pessoas querendo arrancar meu coração. A enfermeira irá fazer um bom trabalho, Deus queira que sim. O anestesiologista é meu amigo, vai cuidar de mim e se certificar que não sentirei mais nada. Quero me livrar desse coração. Por ela bate, por ela dói. Acordo. Era só um sonho. Ele continua doendo e ela continua existindo. Frustrante o modo de querer se livrar desse sentimento.